|
19/03/2004 04:57
Helena Colody
Em uma de minhas visitas à Toca do Hobbit , ao verificar que ele está ou estava lendo algo de autoria de Helena Kolody, poetisa paranaense, resolvi perguntar a seu respeito... Putz... Ela morreu a mais de um mês!!!
Eu confesso que nunca fui um amante de poesias e a algum tempo, nem sabia que esta escritora existia. Fiquei sabendo a seu respeito com uma notícia não muito alegre...
Minha irmã, que está cursando Letras, me disse que a poetisa estava bastante doente.
Pesquisando agora, achei algumas coisas de sua autoria e um pouco de sua história. Os trechos de poesias e haikais que li, me deixaram interessado em suas obras. Rô...(se é que vc esta lendo) será que você consegue me arranjar um livro dela?
Bom.... está começando a bater um "Quati" e a minha cama está me chamando cada vez mais alto... Não estou nem um pouco inspirado hoje ( na verdade nunca estou, mas hoje está pior )... vou postar um pouco do que eu achei e vou dormir...
A poetisa Helena Kolody desencarnou em 15/02/2004 na cidade de Curitiba, PR. Filha primogênita de pais ucranianos, nasceu em 12/10/1912 no "sertão paranaense", como dizia.
"Vim da Ucrânia valorosa,
que foi Russ e foi Rutênia.
Vim de meu berço selvagem,
lar singelo à beira d'água,
no sertão paranaense.
Feliz menina descalça,
vim das cantigas de roda,
dos jogos de amarelinha,
do tempo do "era uma vez..." "
Exerceu duas profissões com carinhosa dedicação: professora de biologia e poeta. Deixou uma obra poética de um lirismo romântico, nos poemas curtos em linguagem simples (sua excelência), a marca de seu humanismo e o brilho de uma inteligência ímpar.
"Para quem caminha
de encontro ao sol
é sempre de madrugada "
A seguir, um de seus Haikais mais famosos:
Arco Iris
Arco-íris no céu.
Está sorrindo o menino
que há pouco chorou.
Outro:
Jornada
Tão longa a jornada!
E a gente cai, de repente,
No abismo do nada.
O trecho a seguir, achei sem título, mas, me fez pensar por um tempão...
"Trêmula gota de orvalho
Presa na teia de aranha,
Rebrilhando como estrela.
Festa das Lanternas!
Os ipês estão luzindo
De globos cor-de-ouro.
Corrida no parque.
O menino inválido
aplaude os atletas.
Nas flores do cardo,
leve poeira de orvalho.
Manhã no deserto.
O brilho da lâmpada,
no interior da morada,
empalidece as estrelas.
A morte desgoverna a vida.
Hoje sou mais velha
que meu pai."
Só mais dois, que provavelmente fazem parte de uma mesma obra. Li vários que falam sobre máquinas, viagens estelares, foguetes esplendorosos e astronautas... Acho que os que mais me interessaram:
Maquinomem
O homem esposou a máquina
e gerou um híbrido estranho:
um cronômetro no peito
e um dínamo no crânio.
As hemácias de seu sangue
são redondos algarismos.
Crescem cactos estatísticos
em seus abstratos jardins.
Exato planejamento,
a vida do maquinomem.
Trepidam as engrenagens
no esforço das realizações.
Em seu íntimo ignorado,
há uma estranha prisioneira,
cujos gritos estremecem
a metálica estrutura;
há reflexos flamejantes
de uma luz imponderável
que perturbam a frieza
do blindado maquinomem.
Selenita
O homem irá viver na Lua,
em cavernas.
Como se alegrará o troglodita,
soterrado em sólidas camadas
de civilização...
É... gostei dela... Ei Helena... seja lá onde você estiver, que tal a gente se encontrar qualquer dia para trocar umas idéias?
...........................
Vou considerar o seu silêncio como uma confirmação... Então até logo!!!
enviada por Blackangel
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
|